O Brasil de 2026 viveu, mais uma vez, os efeitos devastadores das mudanças climáticas. As enchentes no Rio Grande do Sul, em maio, foram o evento mais grave — mais de 150 mortes, centenas de milhares de desabrigados, prejuízos que chegam a dezenas de bilhões de reais. Mas não foi o único: secas no Amazonas, ondas de calor no Sudeste, queimadas recordes no Cerrado e na Amazônia compõem um quadro de emergência climática que não pode mais ser ignorado.

O Brasil é, ao mesmo tempo, um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas e um dos que têm mais potencial para liderar a transição para uma economia de baixo carbono. Essa contradição define o desafio central da política ambiental brasileira nos próximos anos.

A tragédia gaúcha e o que ela revela

As enchentes do Rio Grande do Sul não foram apenas uma catástrofe natural. Foram o resultado de décadas de ocupação irregular de áreas de risco, de subinvestimento em infraestrutura de drenagem e de alertas climáticos ignorados. O estado tinha planos de prevenção que nunca foram implementados por falta de recursos e vontade política.

A reconstrução do Rio Grande do Sul vai custar dezenas de bilhões de reais e levar anos. Mas o maior desafio é garantir que a reconstrução seja feita de forma inteligente — adaptando as cidades e a infraestrutura para um clima que será cada vez mais extremo, em vez de simplesmente reconstruir o que existia antes.

"A tragédia gaúcha é um aviso. O que aconteceu lá vai acontecer em outros lugares do Brasil, com maior frequência e intensidade, se não mudarmos nossa forma de planejar cidades e usar o território." — Pesquisadora do INPE

Amazônia: o ativo mais valioso do planeta

A Amazônia brasileira é o maior ativo ambiental do planeta. Seus 4 milhões de quilômetros quadrados de floresta tropical regulam o clima regional e global, abrigam uma biodiversidade incomparável e são o lar de centenas de povos indígenas. Protegê-la não é apenas uma obrigação moral — é um imperativo econômico e geopolítico.

O desmatamento, que havia recuado significativamente entre 2004 e 2012, voltou a crescer na década seguinte e atingiu níveis alarmantes entre 2019 e 2022. Desde então, o governo federal retomou as políticas de controle do desmatamento, com resultados positivos: os índices de 2023 e 2026 foram os menores em mais de uma década.

A oportunidade da transição energética

Se a crise climática representa uma ameaça existencial para o Brasil, ela também abre oportunidades únicas. O país tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo — mais de 80% da eletricidade gerada vem de fontes renováveis — e tem potencial para expandir ainda mais essa vantagem.

O hidrogênio verde, os biocombustíveis de nova geração, a energia eólica offshore e a solar distribuída são áreas em que o Brasil pode se tornar líder global. A COP30, que será realizada em Belém em 2025, é uma oportunidade de ouro para o país mostrar ao mundo que é possível conciliar desenvolvimento econômico com proteção ambiental.